domingo, 29 de junho de 2008

As coisas simples da vida

Por Fernando Carreiro

Gosto das coisas simples da vida. De acordar bem cedo, olhar pro tempo, nublado, e imaginar como seria legal o dia, vendo desenho, dando boas risadas; ouvindo música enquanto vejo o tempo passar, os pássaros voarem, o dia terminar, a noite chegar.

De quão seria legal poder sair ao anoitecer, sentar no banco da praça – qualquer uma, qualquer um – tirar foto com os amigos, bater papo, passear na feirinha, comer pastel de vento e sentir o vento bater nas costas levemente aquecidas por um moletom vermelho com capuz.

Gosto da simplicidade do mar, que, banhado pelo sol nascente, tem alma dourada no início da manhã; azul, no meio do dia; e negro, ao fim dele. Como gosto de ver as pessoas passando, apressadas, afobadas por chegar a algum lugar. E como gosto, também, de ver, no banco da praça, a primeira idade: uma criança que brinca despreocupada, sadia, feliz, contente, animada; e a terceira idade: trocando um dedo de prosa e dando de comer aos pombos, que namoricam, vão dali acolá, com seu doce arrulhar.

Como é bom curtir a simplicidade das coisas...

O biscoito água e sal, e o café: açúcar ou adoçante? Os muitos jornais, as notícias, boas e ruins, quando o que vale mesmo é ler. Literatura: policial ou clássica? Ficção ou não-ficção? Música: a voz vibrante de Elis e a potente de Boccelli; a sinfonia calma e cadente das Quatro Estações de Vivaldi.

Como é bom aproveitar a simplicidade das coisas...

Tirar um dia para tomar banho de piscina, espirrar água para cima; jogar futebol, mesmo sem saber quais são os passes corretos e as regras; fazer montinho de barro, caricaturas e, depois de prontos, desmanchar tudo com um pontapé. Brincar com o cachorro, jogando a bola de papel para o alto, fazendo olé com o tapete que ele tanto gosta, dando risada de suas trapalhadas.

Como é bom sentir a simplicidade das coisas...

O canto do pássaro na janela; a gota de água que começa a cair e que vai aumentando, aumentando até se tornar uma intensa e corrente chuva; o Sol, que já nasce alegre, irradiante, forte, amarelo, laranja, todas as cores; e o pôr desse astro, que vai embora tímido, dando adeus, mas não menos radiante, sem perder a majestade. E chega a mãe Lua, que ilumina artificialmente a Terra, sem que percebamos que o brilho não a pertence. Mas a elegância perpetua, porque ela é sublime, é criação do Todo-Poderoso.

Como é bom observar, olhar de novo, rever – com toda a redundância que couber aqui; sentir e curtir as coisas simples da vida. Na maior parte das vezes, elas passam despercebidas aos nossos olhos. Mas se não fossem as coisas simples da vida, certamente as mais complexas seriam totalmente desprezíveis e dispensáveis. Afinal, é na simplicidade que encontramos a verdadeira razão de viver para enfrentar o que de mais complicado existe além das coisas simples da vida.


P.S.: A imagem que compõe o texto é de um amigo meu com quem não falo há muito tempo, o Gui.

3 comentários:

Estaba pensando disse...

Es extraño ver a un chico escribir con tanta sencillez y tanta sensibilidad... extraño y bonito...

Anônimo disse...

Nossa.. vc não é só um rostinho bonito! Isso é interessante!
Garoto, vc tem um destaque.. não perca nunca isso!!

Bjos

Elis C. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.